Não era de nossa intenção. Sequer nos empenhamos nisso. Não imaginávamos, ao nos reunirmos para pensar o espetáculo En Passant, que estaríamos nos formando enquanto coletivo de teatro. Aconteceu assim, naturalmente. Simplesmente fomos e continuamos indo.
Empilhávamos nossas experiências diferentes, nossas percepções sobre a vida, nossas perguntas sem fim. Queríamos fazer disso tudo o material de nossa arte. Com o tempo, alguns começaram a nos referir como grupo. De modo gradual, sem alarde, fomos entendendo que En Passant não era um espetáculo avulso.
Demos nome a algo que já existia. A Companhia Vão surgiu da necessidade de busca, da procura por nós mesmos. Da tentativa de reparar os desencaixes entre a arte e o restante do mundo. Não nos preocupamos em ser inovadores, nem com o contrário disso. Queremos apenas ser fiéis a nós mesmos, fazer ao nosso modo.
Vão é simples, é ir, mas não ir sozinho. É o espaço vazio e desconfortável no qual entramos juntos. É o nada. É voltar ao zero na tentativa de não ser em vão, de fazer algum sentido. Ou quem sabe, como artistas que somos, ao menos inventá-lo.